Policiais militares do 27º Batalhão (Santa Cruz) prenderam na manhã desta quarta-feira Ângelo Ferreira da Silva, conhecido como Primo, condenado a 15 anos de prisão por envolvimento no assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002. Silva estava foragido desde o dia 7 de fevereiro, quando saiu para trabalhar pela porta da frente do presídio Vicente Piragibe, em Bangu (zona oeste), e não voltou.
Policiais disseram que Silva estava escondido na casa de parentes, em Santa Cruz (zona oeste). Um dos familiares procurou a polícia militar hoje para anunciar que ele tinha intenção de se entregar, mas a polícia acabou localizando o criminoso.
Silva obteve o direito de sair do presídio depois de conseguir a progressão de regime, um benefício que pode ser concedido a presos que já cumpriram um sexto da pena. Ele confessou à Justiça que estava no carro que transportou Tim Lopes para a favela da Grota, no complexo do Alemão (zona norte), por ordem do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, onde foi assassinado em 2002.
Denúncia
O Disque-Denúncia do Rio divulgou ontem um cartaz com as fotos de Silva e de Elizeu Ferreira de Souza, o Zeu - também condenado pela morte do jornalista e que está foragido desde 2007.
Zeu foi condenado em 2005 a 23 anos e seis meses de prisão. Segundo a acusação, o criminoso foi o responsável por comprar a gasolina jogada sobre o corpo do jornalista. O Disque-Denúncia oferece R$ 2.000 por informações que levem ao foragido.
O serviço garante o anonimato para o denunciante. O telefone é o 0/xx/21/2253-1177.
Crime
Tim Lopes, jornalista da Rede Globo, desapareceu em 2 de junho de 2002 na Vila Cruzeiro, favela que faz parte do complexo do Alemão, depois de ser reconhecido e capturado por traficantes ligados a Elias Maluco quando fazia reportagem sobre um baile funk onde haveria consumo de drogas e sexo explícito.
Lopes foi levado para o morro da Grota, também no complexo do Alemão, onde teria sido esquartejado e queimado - método conhecido como "micro-ondas" e usado para apagar vestígios da morte.
À época do crime, o Disque-Denúncia registrou mais de 2.400 denúncias sobre o crime, indicando, em alguns casos, o paradeiro do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, entre outros integrantes da quadrilha.