O senador paraguaio Robert Acevedo, alvo de um ataque nesta
segunda-feira, pode deixar a clínica San Lucas ainda hoje, informou
o irmão do senador, José Carlos Acevedo.
Robert Acevedo é senador pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), e
foi vítima de um atentado na cidade de Juan Pedro Caballero. O
motorista e segurança pessoal que acompanhavam Acevedo morreram, e ele
foi alvejado com dois tiros.
Proprietário de uma rádio, Acevedo é conhecido pelas duras críticas aos
narcotraficantes que dominam a região de fronteira entre o Paraguai e o
Brasil. Em entrevista ele culpou o narcotráfico pelos ataques.
O estado de sáude do senador melhorou muito e ele pode ter alta entre a
noite de hoje e a manhã da quinta-feira, disse José Carlos Acevedo.
Ainda ontem o presidente do Congresso, Miguel Carrizosa, esteve em Pedro
Juan Caballero visitando o senador internado e pedindo que a segurança
dele se mantenha reforçada.
Após ordens do ministro do Interior, Rafael Filizzola, na terça-feira, o
efetivo que garante a integridade de Acevedo foi aumentado e deve
permanecer assim pelos próximos dias.
Para o irmão do senador Acevedo, o clima na cidade de Pedro Juan
Caballero, local dos ataques, é de muito medo. "As pessoas comentam na
rua, se isso aconteceu com um senador, o que pode acontecer com uma
pessoa comum?", disse.
José Carlos também ressaltou a contribuição do governo brasileiro nas
investigações do caso. "O Brasil está ajudando muito, as polícias civil e
militar, a embaixada em Assunção, todo o esforço que estão fazendo
auxilia para que o autores materiais e morais deste crime sejam
rapidamente encontrados", informou por telefone.
Sobre a saída do senador Robert Acevedo da cidade de Pedro Juan
Caballero, seu irmão adiantou que ainda não há decisão concreta. "Ele já
alterna entre as duas cidades, durante a semana e fim de semana, mas
poderá ter que ficar somente na capital neste momento inicial", indicou.
Militarização
Após visitar o senador Robert Acevedo na clínica San Lucas, o presidente
do Congresso paraguaio, Miguel Carrizosa, anunciou que fará um pedido
formal ao presidente Fernando Lugo para que aumente a presença militar
na região.
Em entrevista ao jornal "La Nacion", Carrizosa afirmou que o senador
Acevedo deveria deixar a cidade e se radicar na capital.
"Solicitaremos ao presidente Lugo a militarização de Pedro Juan
Caballero", disse o parlamentar ao sair do hospital. Para ele a
violência na cidade, que já está sob estado de exceção, "ultrapassou os
limites".
De acordo com o Congresso a polícia precisa intensificar as
investigações para encontrar com mais rapidez os mandantes do atentado
contra o senador Robert Acevedo.
"Só estão pegando os "peixes pequenos', enquanto os "peixes grandes"
estão escapando, pouco a pouco", disse Carrizosa ao jornal "La Nacion".
Atentado
O veículo do político sofreu cerca de 40 impactos de bala nesta
segunda-feira, em um atentado que matou seu motorista e seu segurança
particular. O senador pelo Partido Liberal foi atingido por duas balas.
O fato ocorreu em pleno centro da cidade de Pedro Juan Caballero,
capital do Departamento (Estado) de Amambay, separado por uma avenida de
Ponta Porã, no Brasil.
Segundo o ministério do Interior do Paraguai, o próprio senador teria
comentado anteriormente que sua cabeça valeria US$ 500 mil (cerca de R$
800 mil). Seu irmão confirmou essa afirmação. "É verdade, puseram um
preço em sua cabeça, gente de Brasil, do PCC", disse José Carlos
Acevedo.
"Ele sempre faz denúncias e critica o trabalho ilegal que fazem aqui no
Paraguai. Nós queremos ter um Paraguai melhor, e não que gente estranha
venha tentar mandar no território aqui", explicou José Carlos.
Brasil e PCC
Em entrevista à mídia local, o senador também atribuiu o ataque à máfia
do narcotráfico que domina a fronteira entre Paraguai e Brasil.
"Os responsáveis são narcotraficantes paraguaios associados com os
brasileiros. Eles estão infiltrados na sociedade e são donos da vida e
da morte. Eu me salvei por um milagre", disse Acevedo à imprensa.
O chefe de polícia da cidade de Pedro Juan Caballero, o comissário
Francisco González, informou nesta terça-feira que o carro
utilizado no atentado ao senador liberal Roberto Acevedo era um Ford
Ranger de origem brasileira, com placa de São Paulo, e era um veículo
clonado.
O comissário disse ainda que, na noite de ontem, o ministro do Interior,
Rafael Filizola, esteve na cidade e pediu que o inquérito seja
conduzido com rapidez.
"Filizola também deu instruções à polícia para garantir a segurança do
senador enquanto ele estiver internado no hospital em Pedro Juan
Caballero", informou o chefe de polícia.
Sobre as investigações, González afirmou que "estão a cargo da Justiça",
mas disse que todos os esforços da polícia nacional estão voltados para
a rápida solução do caso.
Indagado acerca de uma possível ligação com a facção criminosa
brasileira PCC (Primeiro Comando da Capital), González afirmou tratar-se
de uma "hipótese". "Não se pode adiantar nada ainda sobre a conexão com
o PCC, mas neste momento não estamos descartando essa possibilidade",
disse.
O ministério do Interior paraguaio confirmou ontem as identidades de
dois brasileiros detidos como suspeitos do atentado, e indicou que as
investigações já estão em estágio avançado.
A chefe de imprensa do ministério, Dolly Olmedo, disse em entrevista por
telefone à Folha que os brasileiros Eduardo da Silva, 27, e Marcos
Cordeiro Pereira, 34, estão presos na cidade de Pedro Juan Caballero,
mas explicou que a polícia paraguaia ainda não tem comprovação da
ligação dos dois com o PCC (Primeiro Comando da Capital), informação
publicada pela imprensa local.
A cidade de Pedro Juan Caballero é a capital de Amambay, um dos
Departamentos (Estados) declarados em estado de exceção pelo Parlamento
paraguaio para combater a guerrilha EPP. O estado de exceção, decretado
por 30 dias, afeta os Departamentos de Concepción, San Pedro, Amambay,
Presidente Hayes e Alto Paraguai, onde vivem 800 mil pessoas, quatro
deles fazem fronteira com o Brasil.
A polícia descartou qualquer ligação entre o EPP e o atentado desta
segunda-feira.