sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Casas Bahia é condenada a indenizar consumidora por cobrança indevida

As Casas Bahia terão que pagar quatro mil reais a uma consumidora, por incluir seu nome nos cadastros de proteção ao crédito baseada em suposta inadimplência. A sentença é do 2º Juizado Especial de Competência Geral do Paranoá e as Casas Bahia recorreram da decisão.

A resistência inicial da ré ao pagamento de danos morais fundamenta-se no fato de o sistema da loja não acusar o recebimento da 5ª parcela de um financiamento feito pela autora, e que esta não tem como comprová-lo, pois alega que perdeu o carnê.

Embora a ré sustente que a 5ª parcela do financiamento estava em aberto, para o juiz, restou patente `o descontrole do setor responsável pelas cobranças das Casas Bahia`. Isso porque o fato de haver parcela pendente de pagamento não significa, necessariamente, que não tenha sido paga, visto que a própria ré admite que `em caso de inadimplência de alguma parcela intermediária, na emissão de boleto avulso o próprio sistema emite a parcela como sendo a próxima a vencer`. Tal informação é corroborada por documento juntado aos autos do qual se depreende claramente que o sistema confere a quitação da última parcela em aberto e não da prestação originária.

O magistrado chama a atenção ainda para o fato de que a fatura reclamada tinha vencimento em 20/11/2006, mas a autora possuía o comprovante de pagamento da referida parcela, `razão pela qual entendeu, com toda razão, que a cobrança era indevida`, declarou.

Ele ressalta também que o contrato firmado entre as partes `não traz nenhuma cláusula alertando os consumidores sobre o seu sistema de cobrança em caso de atrasos, estando, pois, em total desconformidade com o art. 31 do Código de Defesa do Consumidor que obriga o fornecedor a prestar todas as informações de forma clara, precisa e ostensiva`. Além disso, para o juiz, as informações constantes na fatura só fazem confundir ainda mais o consumidor.

Mas não é só. Embora a dívida originária fosse de R$ 53,45, a fatura cobrada foi emitida com o valor de R$ 44,87, e a autora negativada por uma dívida de R$ 85,10. Descartada a hipótese de que tal valor refere-se ao principal mais encargos - pois, de acordo com a ré, a dívida corresponderia à parcela vencida em 20 de outubro de 2006 -, conclui-se que a negativação foi indevida, visto que a autora comprovou o pagamento da parcela vencida em 20/10 e também em 20/11. De mais a mais, acrescentou o juiz, a negativação foi feita sem a prévia notificação da autora, que só tomou conhecimento da restrição quando lhe negaram uma compra financiada.

O magistrado explica que o nexo de causalidade no presente caso decorre da forma ilegal com que a ré negativou o nome da autora, dando causa aos danos morais experimentados. `A experiência nos mostra que a negativação atinge, na pessoa honesta, a respeitabilidade de seu nome e sua moral, causando-lhe sofrimento, humilhação e vergonha que independem de demonstração dada à sua imaterialidade, mas que devem e podem ser reparadas pecuniariamente como forma de minorar a dor interna`, afirma.

Uma vez que `o valor a ser fixado não deve ser exagerado, caracterizando enriquecimento sem causa, mas também não pode ser irrisório como forma de correção pedagógica`, o juiz julgou procedente o pedido da autora para condenar a Casas Bahia ao pagamento de danos morais arbitrado em quatro mil reais, os quais deverão ser acrescidos de juros e correção monetária.

Anatel adia decisão sobre ponto extra de TV a cabo e cobrança permanece

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), por meio de seu Conselho Diretor, adiou a decisão sobre a cobrança pelo ponto extra na TV por assinatura e, por conta disso, manteve a permissão para que as operadoras cobrem o serviço.

O processo, que está sob relatoria da conselheira Emília Ribeiro, deveria ter sido avaliado na reunião de quinta-feira (29), porém, o conselheiro Antônio Bedran apresentou um pedido de vistas, conforme revelou a Agência Brasil.

Um direito dos consumidores
Essa é a quinta vez que a Anatel adia a decisão. A última ocorreu em novembro de 2008, quando a entidade prorrogou a suspensão dos artigos do Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes dos Serviços de Televisão por Assinatura que proíbem a cobrança do ponto extra.

Eles preveem que o uso do ponto extra não deve gerar ônus para o consumidor, e as empresas só podem cobrar pela instalação, ativação e manutenção da rede interna.

A regra ainda determina que a extensão só pode ser feita para outro ponto no mesmo endereço e que o assinante pode contratar o serviço de terceiros para fazer a instalação e manutenção do ponto extra.

Justiça obriga choperia a pagar gorjeta de 10% para garçons

A Justiça do Trabalho condenou uma tradicional choperia localizada nas imediações da Avenida Paulista a pagar aos garçons e ajudantes a gorjeta de 10% cobrada dos clientes como taxa de serviços.

A decisão da juíza Susete Mendes Barros de Azevedo, da 57ª Vara do Trabalho, determina que a Choperia Opção repasse a gorjeta não só aos atuais funcionários, mas também aos que trabalharam na casa nos últimos dez anos.

A reportagem entrou em contato com a choperia, mas um funcionário informou que o proprietário não estava na empresa para comentar o caso.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Trabalhadores de Hotéis, Bares e Restaurantes (Sinthoresp), que representa a categoria na capital.

Na avaliação da advogada Andreia Hecz, que representa o sindicato, a sentença irá favorecer outros trabalhadores que não recebem seus direitos.

- Muitos juízes sequer julgavam os processos, alegando que o sindicato não podia entrar com ações coletivas. A decisão abre um precedente importante para nós - explica.

De acordo com a advogada, a choperia Opção sempre cobrou os 10% dos clientes de maneira disfarçada e não repassava nem um centavo aos funcionários.

A prática é mais comum do que se imagina, alerta a advogada. No ano passado, cerca de cinco mil processos foram movidos pelo sindicato contra empresas que embolsavam a taxa.

Juiz é agredido com pá e atira contra agressor

O juiz Leonel Figueiredo Cavalcanti, da Vara de São Felix do Xingu, no Pará, foi agredido com dois golpes de pá de construção na manhã de quarta-feira (28) e reagiu disparando dois tiros no agressor. 

O agressor, que foi hospitalizado, revoltou-se com o juiz depois que não conseguiu sacar sua aposentadoria porque a conta estava bloqueada por decisão judicial. Ele foi ao fórum da cidade armado com uma faca. As pessoas que estavam no local, no entanto, o desarmaram. 

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou nota para manifestar indignação com o episódio, afirmando que isto fere o "livre exercício da atividade judicante e os plenos direitos não apenas do magistrado, mas de todo cidadão". 

Em dezembro do ano passado, o fórum do município de Igarapé-Miri (PA) foi incendiado por um grupo de moradores da cidade em protesto pela morte de um comerciante durante um assalto. 

Também no ano passado, em agosto, um juiz e um promotor foram resgatados por um helicóptero da Polícia Militar depois que centenas de moradores de Viseu (PA) incendiaram o fórum e invadiram a delegacia da cidade. 

Simon critica Sarney por dificultar ingresso da Venezuela no Mercosul e deve "trair" PMDB

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou na quinta-feira a sinalização de seu colega de partido, José Sarney (PMDB-AP) - que disputa a presidência do Senado - de dificultar o ingresso da Venezuela no Mercosul. Para Simon, a atitude de Sarney é "equivocada" e pode transformar o país vizinho em "inimigo". O senador do Rio Grande indicou ainda não estar definido sobre seu voto em Sarney.

"O senador Sarney está confundindo o presidente Hugo Chávez (Venezuela) com o país Venezuela. Quando ele critica o Chávez, que está se armando e comprando armamentos, eu concordo com o Sarney, mas impedir a Venezuela de entrar no Mercosul é um absurdo", disse Simon. "Essa atitude pode transformar a Venezuela em inimiga."

Em nota do Painel da Folha de ontem trazia a informação que Sarney sinalizou aos partidos de oposição que vai dificultar o ingresso da Venezuela no Mercosul se for eleito presidente do Senado. A sinalização teria ocorrido na reunião com os tucanos realizada ontem em Brasília.

Simon lembrou que os governos da Argentina, Uruguai e Paraguai já aprovaram a participação da Venezuela no bloco. O ingresso já foi aprovado na Câmara, mas o aval ao país de Hugo Chávez depende agora do Senado. "O Brasil ao não aprovar o ingresso da Venezuela pode criar um outro problema com os países que já autorizaram", disse.

Ao ser questionado se suas críticas interfeririam na forma como vai votar na segunda-feira (2) na eleição para a presidência do Senado, Simon foi categórico: "Não". Mas o peemedebista disse que ainda não havia pensado sobre o assunto quando questionado se pretende votar em Sarney. "Não pensei sobre isso ainda", disse.

Também em resposta a Sarney, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) criticou hoje a possibilidade do peemedebista dificultar o ingresso da Venezuela no Mercosul caso seja eleito presidente do Senado.

"Antes de tudo, estranhamos essa manifestação do senador José Sarney, um homem público experiente e ponderado. O senador, que já ocupou essa estratégica função no passado, sabe muito bem que o presidente do Senado tem de comportar-se com a neutralidade e a objetividade de um magistrado, evitando interferir nas matérias e processos que tramitam na Casa", disse Mercadante.

José Rainha diz que denúncias da Procuradoria são fruto de perseguição política

O líder sem terra José Rainha Jr. afirmou que as denúncias feitas ao Ministério público Federal são "fruto de pura perseguição política".

"O objetivo das pessoas que fazem as denúncias é inviabilizar o projeto, inviabilizar a reforma agrária", disse, sem citar nomes. Ele falou que não comentaria questões das associações por não ser oficialmente membro de nenhuma delas, mas afirmou que a prestação de contas "está em dia".

"A perseguição que ocorre aqui no Pontal é evidente. Se a gente recebe recursos para desenvolver um programa que está dando certo, como está, aparece denúncia, investigação. Quando não tem recursos, não tem programa de nada, dizem que assentamentos são favelas rurais", afirmou Rainha.

Segundo ele, em 2008 - primeiro ano do projeto - 1.200 assentados receberam R$ 1,5 milhão com a venda da semente de mamona e o dinheiro foi usado para melhorar a produção. Para este ano, serão 2.400 famílias envolvidas.

O ex-dirigente do MST disse ainda que "os opositores da reforma agrária usam o mesmo expediente que minou a Cocamp", cooperativa do movimento no Pontal que recebeu R$ 8,5 milhões em verbas federais e se tornou alvo de investigações do Ministério Público Federal --12 anos após a fundação, nunca funcionou.

"Estamos à disposição da Justiça, sem problemas. Ninguém mais do que eu no Pontal foi investigado, fui parar até na CPMI da Terra, mas nada foi comprovado e a Cocamp está parada. Aconteceu o que eles queriam", disse Rainha.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário informou, via assessoria de imprensa, que as prestações de contas estão sendo analisadas e que a supervisão e fiscalização do projeto são feitas "por meio de visitas de técnicos do Incra e do ministério e por meio das prestações de contas". Segundo a pasta, a liberação de uma parcela do convênio só é feita após a apresentação da prestação de contas da parcela anterior.

Polícia Federal prende ex-prefeito de Cocal (PI) suspeito de desviar verbas

A Polícia Federal prendeu preventivamente na quinta-feira o ex-prefeito de Cocal (PI) José Maria Monção, eleito em 2004 pelo PFL (atual DEM), suspeito de desviar verbas da educação. A PF também prendeu temporariamente Francisco Tadeu, ex-assessor de Monção.

Além das prisões, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em sete endereços, todos em Cocal. A ação faz parte da Operação Harpia, que investiga desvio de verbas públicas na Prefeitura de Cocal.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram concedidos pelo juiz federal Mário César Ribeiro, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região. A Justiça decretou sigilo das investigações.

Segundo a PF, os dois presos serão conduzidos para Teresina, onde ficarão detidos à disposição da Justiça na carceragem da Superintendência da Polícia Federal.


Ao custo de R$ 550 mil, Senado instala rádio no principal reduto de Garibaldi

De saída da presidência do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) conseguiu colocar em prática um antigo projeto da Casa de expansão da Rádio Senado pelo país. A primeira cidade contemplada é Natal --que vem a ser o principal colégio eleitoral do senador potiguar. O negócio custou R$ 550 mil em dinheiro público.

A maior parte do valor é referente ao aparelho de transmissão que capta o sinal via satélite da Rádio Senado e o retransmite para a região metropolitana de Natal. Com o prefixo 106,9 FM, essa rádio retransmite desde novembro a programação produzida em Brasília.

Garibaldi disse que, depois de assumir a presidência da Casa, solicitou a instalação de um retransmissor da TV Senado em Natal. "Mas, sobre a rádio, eu juro para você que eu não sabia. Muito menos que Natal era a primeira capital a ter transmissão", disse.

O presidente do Senado afirmou que a rádio não lhe traz votos porque tem baixa audiência. "E, apesar da boa programação, não é voltada para classes mais populares", disse.

O projeto de expansão da rádio e da TV Senado foi aprovado pela Mesa em 2004, quando a Casa era presidida por José Sarney (PMDB-AP).

Na época, foi constituída uma comissão formada por 11 servidores do Senado. Eles foram responsáveis por viabilizar a instalação de transmissores em todas as capitais do país.

Até então, só o projeto da TV havia conseguido sair do papel. Atualmente, há canais da TV Senado em nove capitais.

No caso da expansão da rádio, o atual ministro das Comunicações, Hélio Costa, senador licenciado pelo PMDB-MG, teve papel fundamental. Foi ele quem ajudou a conseguir a maioria das 23 concessões de rádios já disponíveis para o projeto. Ficaram de fora São Paulo e Belo Horizonte.

Em princípio, o transmissor usado em Natal deveria ser instalado no Rio, que tem 6 milhões de habitantes, contra 798 mil da capital potiguar. Isso não ocorreu devido a desentendimentos com a TV Brasil.

O secretário de Comunicação do Senado, Helival Rios, disse que Natal foi escolhida por "razões técnicas" e graças a uma parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que permitiu a redução dos custos de manutenção. Segundo ele, quem decidiu instalar o transmissor em Natal foi a comissão de servidores.

Rios disse ainda que, além de Natal, só Salvador tinha condições de abrigar o transmissor: "Mas o local estava em obras". O secretário afirmou que o presidente do Senado não pediu para Natal ganhar uma rádio.

foi possivel apurar que houve gestões para beneficiar a capital potiguar. A reportagem também obteve a informação de que pelo menos 2 dos 11 integrantes da comissão responsável pelo projeto de expansão da rádio eram contra a ideia.

Associação italiana defende decisão do Brasil sobre caso Battisti

A associação italiana Antigone, que luta pelos direitos e garantias no sistema penal, declarou apoiar a decisão do governo brasileiro de conceder refúgio político ao ex-militante Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970.

Segundo o presidente da instituição, Patrizio Gonella, a Itália ficou famosa no exterior por uma legislação de emergência imposta durante os anos de chumbo [de 1968 ao início da década de 1980]. "As penas durante os anos de chumbo eram desproporcionais", afirmou.

"Além disso, existe na Itália um regime de cárcere duro para os mafiosos e terroristas, que o juiz federal [norte-americano] D.D Sitgraves considera ultrapassar os limites da tortura", disse o presidente da Antigone.

Gonella também comentou a proposta de alguns políticos italianos de anular o amistoso entre as seleções da Itália e do Brasil, programado para 10 de fevereiro, em repúdio à decisão brasileira.

"Agora o Brasil é quem deveria se recusar de jogar com a Itália", pois o país está "aprovando atualmente um projeto de lei racista sobre segurança, que institui, por exemplo, que um cidadão brasileiro sem permissão de residência na Itália não poderá mais ir a um hospital sem ser denunciado", afirmou.

Cesare Battisti era militante do grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) e recebeu o status de refugiado político no último dia 13 pelo ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, que alegou existir um "fundado temor de perseguição política" contra o italiano caso ele seja extraditado.

STF autoriza governo italiano a se manifestar e pede informações ao Ministério da Justiça

O ministro Cezar Peluso, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou na quinta-feira que o governo da Itália se manifeste no processo de extradição do ex-ativista Cesare Battisti. Como relator da ação, Peluso solicitou ao Ministério da Justiça cópia completa da decisão que concedeu status de refugiado político a Battisti. O pedido deve ser cumprido em cinco dias.

Especialistas que acompanham o processo informaram que com essa decisão o caso deve entrar na pauta da Suprema Corte apenas a partir da terça-feira (3) e, não mais na segunda-feira (2), como era esperado. O assunto divide os 11 ministros do STF

Para o governo italiano, o esforço será obter autorização do STF pela extradição do ex-ativista, que conseguiu refúgio político no Brasil -  concedido pelo Ministério da Justiça no último dia 13. Com o status de refugiado, Battisti pode morar e trabalhar no Brasil.

Em protesto à concessão do status de refugiado político, o governo italiano chamou nesta semana o embaixador da Itália em Brasília, Michele Valensise, para prestar esclarecimentos sobre o episódio. A decisão do Ministério da Justiça gerou várias críticas e manifestações de diferentes segmentos na Itália.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, via porta-voz da presidência, que o assunto estava encerrado no que se refere ao Executivo. Segundo o porta-voz Marcelo Baumbach, o tema deverá ser tratado na esfera do Judiciário. Para o procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, o pedido de extradição do ex-ativista deve ser arquivado.

Histórico

Battisti está preso no Brasil desde 2007, em Brasília, e aguarda a decisão da Suprema Corte para ser solto. O ex-ativista é acusado na Itália de ser responsável pela morte de quatro pessoas. Mas ele nega a participação nos crimes.

Em entrevista à revista "IstoÉ", Battisti afirma que nunca matou ninguém. Para o italiano, há um exagero cercando seu caso.

"Eu, sinceramente, não acredito que tudo isso esteja acontecendo. É enorme, é exagerado. Eu não sou essa pessoa tão importante. Sou um dos milhares de militantes italianos dos anos 1970. Sou um das centenas de militantes que se refugiaram no mundo inteiro, fugindo dos anos de chumbo da Itália. Por que tudo isso comigo?", reagiu ele.

Na entrevista, Battisti afirmou também que jamais participou de ações que terminaram na morte de pessoas. "Eu nunca matei ninguém. Eu nunca fui um militante militar em nenhuma organização. Nem na Frente Ampla nem nos PAC, onde fiquei dois anos, entre 1976 e 1978."

Mesmo sem PSDB, Sarney conta folga de 5 votos

Os dois maiores partidos da oposição decidiram na quinta-feira seus apoios na presidência do Senado: o DEM decidiu aliar-se a José Sarnei, enquanto o PSDB dará seus votos a Tião Viana. Mesmo sem os senadores, tucanos, o candidato peemedebista diz ter folga para vencer a disputa.

Para ser eleito no Senado, o candidato precisa obter ao menos 41 votos entre os 81 senadores. O PMDB é dono da maior bancada da Casa, com 20 membros, seguido por DEM (14), PSDB (13) e PT (12).

Mesmo após a adesão do PSDB à chapa petista, o PMDB acredita que Sarney vencerá com ao menos 46 votos - cinco além do necessário. A equipe de Tião Viana, por sua vez, diz ter o apoio de 35 senadores.

Como a eleição está marcada para as 10h de segunda-feira (2), os dois candidatos ainda têm tempo para arrendar as promessas de votos que faltam, como é o caso de Viana, ou garantir mais folga para a vitória, conforme aponta Sarney.

PSDB decide apoiar Tião Viana no Senado

O PSDB divulgou na noite de quinta-feira que vai apoiar a candidatura do petista tião Viana (PT-AC) para a presidência do Senado. O líder tucano Arthur Virgílio (AM) já comunicou a decisão a Tião Viana.

A decisão surge poucas horas depois de o DEM formalizar o apoio à candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) DEM e PSDB podem acirrar ainda mais a disputa.

Para ser eleito no Senado, o candidato precisa obter ao menos 41 votos entre os 81 senadores. O PMDB é dono da maior bancada da Casa, com 20 membros, seguido por DEM (14), PSDB (13) e PT (12).

A decisão do PSDB foi tomada em reunião entre o líder tucano Arthur Virgílio (AM), o presidente do partido Sérgio Guerra (PE) e o senador Tasso Jereissati (CE).

Ao blog, Viana disse que o elo do entendimento de sua candidatura com o tucanato "foi a carta-compromisso do PSDB". Questionado sobre troca de cargos e promessas, Tião minimizou: "Esse assunto o PSDB me informou que vai tratar dentro do que está previsto nas regras da proporcionalidade das bancadas."

Governo prepara restrição a direito de greve nos Correios

Para evitar uma paralisação geral a exemplo do que ocorreu no ano passado, o governo Lula planeja restringir o direito de greve dos funcionários da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) determinou, em portaria, que os serviços postais, suas instalações, bens e sistemas são estratégicos. "Se forem interrompidos ou destruídos provocarão sério impacto social, econômico, político, internacional ou à segurança do Estado e da sociedade", diz a portaria.

Com efeito, será criado um grupo - composto por representantes do GSI, do Ministério das Comunicações e da ECT - para fazer levantamento de agências, escritórios e depósitos essenciais para o funcionamento dos Correios. No estudo, serão identificados os pontos de vulnerabilidade e propostas medidas para solucioná-la.

Também será criado um sistema de informações, que, segundo foi apurado, permitirá ao GSI monitorar os serviços da ECT. Além de se antecipar a novos movimentos grevistas, o governo quer ter na manga um plano de emergência em caso de paralisação.

Questionado pela reportagem, o GSI afirmou que "os estudos realizados até o momento estão em sua fase inicial, ainda sem conclusões".

Para o advogado André Hermanny Tostes, o texto da portaria "enquadra como essencial o serviço dos Correios". Essa, explica, é a "razão jurídica" para se exigir um funcionamento mínimo durante greves.

"Os serviços essenciais não podem parar nunca, o que não quer dizer que os servidores não possam exercer o direito de greve. Mas eles têm que manter um contingente mínimo ao funcionamento adequado desse serviço", afirma.

Especialista em direito trabalhista, a advogada Cristiane Haik questiona, porém, o instrumento jurídico adotado. Lembrando que "o direito de greve é constitucional" e que uma lei específica (7783, de 1989) lista serviços essenciais, ela alega que uma portaria afronta essa legislação. "Uma portaria não pode ir contra a lei, muito menos contra a Constitucional Federal. Seria juridicamente questionável."

"Portaria não tem capacidade de alterar essa norma", afirma o advogado Rodrigo Mesquita Pereira. Segundo a diretora de Administração e Finanças da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos), Ana Zélia Almeida dos Santos, desde o ano passado, o sindicato foi obrigado a manter 30% dos serviços em funcionamento, por determinação do (TST) Tribunal Superior de Trabalho.

"O TST concedeu uma liminar. Nós recorremos. Não concordamos que os Correios sejam serviços essenciais", afirma. A paralisação dos funcionários dos Correios durou 15 dias, período em que os centros de distribuição da ECT registraram mais de 450 milhões de correspondências.

Dilma diz que "ainda" não é a candidata do PT

"Ainda não." Foi dessa forma que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) respondeu ontem ao ser questionada se já é candidata do PT à Presidência em 2010. A declaração foi dada no Fórum Social Mundial, em Belém, onde ela teve um dia de presidenciável, com direito à claque ovacionando seu nome e uma sessão informal de autógrafos ao público.

"Sem sombra de dúvidas, é óbvio que eu sinto nesta manifestação, neste conjunto de pessoas, um calor, uma energia, uma força muito grande", afirmou a jornalistas, sobre os quase 1.000 visitantes do PT e da CUT que lotaram a tenda na qual Dilma discursou.

"Mas ele [Lula] ainda não conversou comigo sobre esse assunto. Na real não tem nenhuma questão colocada a esse respeito ainda de forma oficial, até porque não houve essa conversa", disse a ministra.

Mesmo assim, Dilma disse que era "comovente" estar ali e ser "objeto" das manifestações. "Não há dúvida quanto a isso. Tenho certeza que se vocês estivessem ali sentiriam o mesmo. Aí toca não a cabeça, toca o coração", afirmou.

O tom eleitoral da atividade começou antes mesmo da ministra chegar, com militantes gritando "Brasil urgente, Dilma presidente" e "Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma".

Antes, em um debate sobre as realizações e perspectivas do governo Lula, lideranças petistas já falavam sobre a necessidade de, em 2009, o partido ter um nome forte para enfrentar o "jogo bruto, muito bruto" que seus opositores vão jogar no pleito do ano que vem, segundo disse o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP).

Logo no início do debate de que a ministra participou, uma das primeiras frases da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), mostrou o que seria o evento: "Estamos perto de ter uma candidata mulher à Presidência da República."

A governadora, a ministra Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) e a senadora Fátima Cleide (PT-RO) elogiaram repetidamente Dilma.

"Ela é uma grande mulher, nome respeitado em todo o país, um nome desejado em todo o país", disse Freire, para quem Dilma dará "continuidade ao governo Lula". "Em um país que não pode parar, o governo não pode prescindir de ter mulheres na presidência da República", disse Cleide.

Cada vez que uma delas falava sobre a ministra, o público gritava, assoviava e levantava as bandeiras do PT.

Em seu discurso, Dilma falou de sua trajetória como militante à época da ditadura militar e falou dos avanços do governo federal nos últimos seis anos.

Disse que o Brasil "não quebrou" com a crise mundial "pois estava mais preparado" do que no governo FHC.

A ministra elogiou os presidentes da Venezuela e da Bolívia e defendeu a conservação da Amazônia --tema do fórum deste ano e motivo pelo qual Dilma entrou em atrito com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

No final, Dilma teve seu nome de novo gritado pelo público petista. Uma pequena multidão se formou em volta do palco onde ela estava. A ministra, que recentemente fez uma plástica no rosto, não se incomodou em dar autógrafos em livros e credencias do encontro.

Em um momento, um homem se aproximou e deu a ela uma carteira de motorista para ser autografada --o que Dilma se recusou a fazer.

Crise econômica pode abrir caminho para crise ambiental, diz Marina Silva

A senadora Marina Silva (PT-AC), ministra do Meio Ambiente de 2003 a maio de 2008, diz ver risco de a crise econômica abrir caminho para uma nova crise ambiental. Para ela, setores ligados a produtores rurais "querem se aproveitar" da situação para, em nome de geração de empregos, aprovar alterações na legislação ambiental.

"A saída para a crise não pode ser em prejuízo da preservação", disse, em entrevista. Um ano após declarar moratória de desmates em 36 municípios da Amazônia --e, com uma série de medidas restritivas, comprar briga com empresários, governadores e ministros--, a senadora diz avaliar como "positivos" os resultados do pacote que ajudou a conceber. E atribui os insucessos a falhas de ministérios como Agricultura e Transportes.

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PERGUNTA - Como a senhora avalia o primeiro ano do pacote de medidas contra o desmatamento?
MARINA SILVA - A avaliação é positiva, pois, ao ter sido detectada a possibilidade de um aumento de desmatamento em torno de 30% a 40% para 2008, a adoção daquelas medidas foi responsável pela redução da tendência. Isso sinaliza duas coisas: que havia um trabalho técnico competente, que foi capaz de identificar o momento em que o desmatamento voltou a crescer, uma articulação rápida no sentido de aumentar a fiscalização e, ao mesmo tempo, tomar medidas estruturantes. O resultado é que o desmatamento não saiu de controle.

PERGUNTA - Mas as intenções do pacote não eram mais ambiciosas do que a simples estabilização dos índices de desmatamento?
MARINA - O plano previa um conjunto de ações em três eixos: combate às práticas ilegais, apoio às atividades produtivas sustentáveis e o ordenamento territorial. O ponto que mais avançou, sem dúvida, foi o da fiscalização. Os demais não andaram satisfatoriamente, e ficaram muito longe disso.

PERGUNTA - O que acha que ocorreu?
MARINA - Lamentavelmente, os setores responsáveis por estas outras medidas não fizeram o dever de casa. Acho que não foi feito o esforço necessário por parte do Ministério da Agricultura, por exemplo, e do Ministério dos Transportes.

PERGUNTA- Há alguma frustração em acompanhar de longe a condução do plano?
MARINA - Acompanho com o interesse de quem é uma parlamentar do Brasil. E, se não fosse, acompanharia como cidadã. Mas sem nenhum apego ao cargo. O que eu quero é que façamos jus ao que nós somos. O Brasil é um país que tem uma imensa riqueza natural e, nela, a maior é a Amazônia. Infelizmente, isso não é uma visão estratégica por parte de alguns setores, quer de governo, quer da iniciativa privada. O momento atual, particularmente, está se tornando muito difícil para a preservação ambiental.

PERGUNTA- Como assim?
MARINA - Com essa questão da crise econômica, mais uma vez surgem aqueles que querem se aproveitar disso para passar por cima da legislação ambiental, em nome da geração de empregos e da necessidade de acelerar investimentos. A saída para a crise não pode ser em prejuízo da preservação ambiental, seja negligenciando o licenciamento, seja revogando artigos do Código Florestal, como pretende este movimento organizado no Congresso.

PERGUNTA- Como avalia a gestão de seu sucessor, Carlos Minc?
MARINA - O Minc tem um estilo diferente do meu. E estes primeiros seis meses foram levados muito mais dando conta das medidas que ele encontrou. Acho que, com certeza, a partir deste ano, ele vai estar começando de fato a sua gestão.

PERGUNTA- A sra. acha que foi incompreendida?
MARINA - Optei por um caminho estruturante. É como fazer saneamento básico, as pessoas não ficam vendo, mas você sabe que aquilo que foi feito é importante e estratégico. Para mim, não faria sentido ir ao ministério se não fosse para fazer isso. Mas é assim mesmo: quando chega a hora de colher frutos, ninguém quer saber quem é que plantou a árvore.

Em carta a Lula, viúva de policial diz que "ninguém deseja vingança contra terroristas"

A italiana Mariella Magi Dionisi, viúva de um policial assassinado por um ativista de esquerda em 1978, escreveu uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual afirma que "nenhum parente das vítimas do terrorismo pensaria em perseguir ou atentar contra a vida de um terrorista".

"Não temos dúvida de que o senhor e o seu país sabem que na Itália ninguém está, e nem estará, desejando uma vingança ou uma perseguição aos terroristas que não hesitaram em matar homens que serviam ao Estado italiano", diz o texto, em que ela ressalta que a Itália não é um país em que se faz justiça com as próprias mãos.

A carta é uma resposta à iniciativa do governo brasileiro de conceder refúgio político ao ex-ativista italiano Cesare Battisti, preso no Brasil desde 2007.

Mariella é presidente da associação Memória, que homenageia os membros das forças oficiais italianas vítimas do terrorismo durante os chamados "anos de chumbo" no país.

Na carta, ela diz ainda que "a Itália por anos reservou também aos ex-terroristas páginas inteiras nos jornais ou transmissões de televisão".

O policial Fausto Dionisi, marido de Mariella, foi assassinado por um militante do grupo Prima Linea durante uma ação no presídio Le Murate, em Florença, em 1978.

"Aqui os terroristas têm sempre uma segunda oportunidade da vida. Para os nossos mortos e para nós, parentes, não foi assim", afirma.

Presidentes de quatro países se reúnem em Belém e defendem integração na América Latina

Os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) estavam reunidos ontem na Uepa (Universidade Estadual do Pará), em Belém. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Belém, mas não compareu ao evento organizado pela Via Campesina.

Antes do início da reunião, Correa disse que sem integração os países da América Latina não serão capazes de enfrentar a crise.

"É muito interessante que todas essas propostas sobre um novo sistema estejam sendo discutidas no fórum. Um sistema perverso, baseado na cobiça, que está em crise. E o fórum faz parte dessa solução", disse Correa.

"Mas a solução passa pela integração dos povos de economia emergente, nesse caso, a região da América Latina. Se não houver integração com um comércio real, um grande mercado, será muito difícil enfrentar uma globalização neoliberal que está em crise."

Correa e Lugo foram os primeiros a chegar ao ginásio da Uepa. Enquanto aguardavam a chegada de Morales e Chávez, eles cantaram juntos e assistiram a apresentações de dança e teatro. Às 17h30, os quatro presidentes terão um encontro a portas fechadas com o presidente Lula.

Amazônia

Correa disse que os países da Pan-Amazônia precisam ser recompensados pela conservação da Amazônia.

"Deixaremos o petróleo debaixo da terra, faremos um grande sacrifício, mas o resto do mundo tem que nos recompensar pela preservação da Amazônia", afirmou.

Pará é o Estado com mais municípios na lista de maiores desmatadores

Um ano depois de o governo federal implantar um plano emergencial para combater o desmate nos 36 municípios que mais devastavam a Amazônia, o Pará ultrapassou Mato Grosso e assumiu a ponta na lista das cidades que mais devastam no país. Entre as 36 mais, há agora 16 municípios paraenses e 15 de Mato Grosso, aponta o levantamento, divulgado pelo Ibama.

Maranhão e Roraima entraram na lista, enquanto o Amazonas saiu. Dezesseis cidades que não estavam na relação em 2008 agora estão presentes.

Há um ano, em meio a uma escalada do desmatamento, o governo federal suspendeu as licenças para desmate no grupo de municípios. O conjunto de medidas também incluiu o recadastramento obrigatório de propriedades nessas áreas.

Para o coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, a presença de novos municípios na lista significa que o pacote de 2008 surtiu efeito nas cidades críticas. "Obviamente significa que 16 não estão mais entre os piores, o que é resultado direto do foco nas ações de fiscalização."

Para o secretário do Meio Ambiente do Pará, Valmir Ortega, a predominância de cidades do Estado na lista é resultado de uma maior área de floresta remanescente. "Em Mato Grosso, já está quase tudo destruído", afirmou. "Mas isso indica que temos uma situação que exige atenção permanente nos próximos anos." Para ele, as medidas do governo federal em 2008 foram "importantes".

A região que mais tem causado "preocupação" no Pará, diz Ortega, a da Transamazônica, no centro do Estado. Nela estão algumas das novas recordistas, como Uruará. "É como gato e rato. Vamos lá, multamos, apreendemos, e, quando voltamos, está tudo lá de novo."

Adalberto Veríssimo, pesquisador da ONG Imazon, que estuda a floresta, diz que o Pará vem reduzindo o desmatamento em um ritmo menor do que Mato Grosso há pelo menos dois anos. "No Pará, em algumas áreas, há problemas como na BR-163, em Novo Progresso [sudoeste do Estado]. Tem um desmatamento que resiste porque há muito efeito especulativo. É gente desmatando para tentar ter direito de posse."

Críticas

O governo de Mato Grosso criticou a execução do plano do governo federal. Segundo o secretário Luiz Daldegan (Meio Ambiente), as ações do governo federal se concentraram em operações passageiras. "O principal, que eram medidas de fomento às atividades sustentáveis, nunca chegaram aqui."

Para o Ibama, o plano atingiu o objetivo ao conter uma tendência de aumento "explosivo" nos índices.

Parte do plano, o recadastramento de propriedades não avançou nos primeiros meses. Até abril de 2008, dos mais das 15 mil proprietários que deveriam ter procurado o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para fornecer seus dados, pouco mais de 3.000 o fizeram. 

Para o coordenador de uma campanha contra o desmatamento do Greenpeace, Márcio Astrini, o conjunto de medidas, apesar de válido, foi uma atitude política do governo para mostrar uma "reação". Ele diz que o cadastramento de propriedades é fundamental para ampliar o controle sobre o desmate.

Justiça Eleitoral anula multa a Kassab por "checão do metrô"

O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) aceitou pedido do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e decidiu retirar a multa por "conduta vedada" aplicada durante a campanha eleitoral do ano passado. Na ocasião, o juiz determinou que o prefeito deveria pagar R$ 5.320,50 pela utilização, em sua campanha, de evento no qual anunciou um investimento de R$ 198 milhões nas obras do Metrô.

De acordo com o julgamento de quinta-feira, no entanto, o tribunal entendeu que a exibição do cheque simbólico não representou conduta vedada, não justificando a aplicação da multa. A votação que anulou a multa, segundo o TRE, foi unânime.

A ação partiu da campanha da então adversária do prefeito na disputa, Marta Suplicy (PT). Ela pedia a cassação do registro de candidatura de Kassab por uso da máquina pública em benefício próprio. Apesar de negar a cassação, o juiz aplicou a multa.

Ainda cabe recurso da decisão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A reportagem não localizou ninguém do diretório municipal do PT em São Paulo na noite de hoje.

STF veta volta de seis deputados afastados em Alagoas

Seis deputados estaduais de Alagoas indiciados sob suspeita de desvio de dinheiro vão continuar afastados dos cargos, de acordo com decisão desta quinta-feira do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.

No último dia 15, o próprio Mendes havia determinado a recondução deles, por entender que o Poder Judiciário não tinha competência para afastá-los, e suspendido uma liminar dada pelo Tribunal de Justiça de Alagoas em março de 2008.

Mas os deputados haviam sido afastados também por uma segunda liminar dada em julho de 2008 pelo juiz Gustavo Souza Lima, da 16ª Vara Cível de Maceió, em uma ação civil pública. A ação pedia o afastamentos de deputados suspeitos de terem empréstimos pessoais de até R$ 150 mil pagos pela Assembleia Legislativa.

Na semana passada, a Assembleia apresentou um pedido no STF para que a decisão de Gilmar Mendes fosse estendida também para a segunda liminar. Hoje, o presidente do STF negou o pedido.

Com a decisão de hoje, continuarão afastados o ex-presidente da Casa Antônio Albuquerque (sem partido), Arthur Lira (PMN), Cícero Ferro (PMN), Dudu Albuquerque (sem partido), Isnaldo Bulhões (PMN), João Beltrão (PMN), Marcos Ferreira (PMN) e Nelito Gomes de Barros (PMN).

Dos dez deputados beneficiados pela suspensão de liminar, apenas Maurício Tavares (PTB) e Edval Gaia (PSDB) poderão voltar aos cargos, pois não estavam afastavam também pela segunda decisão.

Outros dois deputados já estão fora da Assembleia: Cícero Amélio (PMN) renunciou para ser conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e Antonio Hollanda (PT do B) foi cassado por compra de voto.

Tião se irrita com insinuações de Sarney e diz que manterá candidatura

Em meio às pressões de senadores da base governista para desistir da sua candidatura à presidência do Senado, o senador Tião Viana (PT-AC) foi enfático na quinta-feira ao afirmar que não vai deixar a disputa pelo comando da Casa, marcada para segunda-feira. Em conversas com aliados, Tião não escondeu a irritação com insinuações do senador José Sarney (PMDB-AP), seu adversário na disputa, de que deveria desistir do cargo.

"Eu nem trato dessa possibilidade [desistir da candidatura], é questão ultrapassada", afirmou Tião. Ao ser oficializado como candidato do PMDB nesta quarta-feira (28), Sarney deu sinais de que seus aliados trabalham para uma única candidatura à presidência da Casa --o que tiraria Tião da disputa.

Foi possivel apurar que o grupo pró-Tião chegou a classificar Sarney de "ditador" por estar manobrando para tirar o petista do páreo. Aliados de Tião avaliam que as afirmações do peemedebista relembram os tempos da ditadura, quando um único candidato era imposto nas eleições, sem a possibilidade de disputa.

Otimismo

Tião demonstra otimismo com a sua candidatura, mesmo com pressão para deixar a disputa. O petista aposta no apoio de pelo menos parte da bancada do PSDB ao seu nome depois que Sarney impôs resistências aos tucanos nas negociações para cargos na Mesa Diretora e nas comissões permanentes.

O PMDB sinalizou que não pretende ceder a presidência da Comissão de Relações Exteriores ao PSDB, que deseja emplacar o senador Eduardo Azeredo (MG) no cargo. Ao mesmo tempo, os peemedebistas têm resistências em aceitar o pedido do PSDB para que o senador Tasso Jereissati (CE) fique com a presidência da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos).

As restrições do PMDB irritaram a cúpula tucana, que agora ameaça embarcar na candidatura de Tião. Parte do PSDB, porém, tem resistências a uma aliança com o PT porque em nível nacional os dois partidos são adversários políticos.

DEM declara apoio à candidatura de Sarney e enfraquece Tião no Senado

O DEM formalizou na quinta-feira o apoio à candidatura do senador José Sarney (PMDB) para a presidência do Senado. Com o discurso de que o candidato Tião Viana (PT) representaria o PT na presidência da Casa, os democratas decidiram apoiar o peemedebista mesmo com o alinhamento do candidato ao Palácio do Planalto.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), minimizou a proximidade do peemedebista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a sua ligação com o senador Renan Calheiros (PMDB) -principal articulador da candidatura peemedebista.

"O senador Sarney é um homem de diálogo, não é petista, não tem alinhamento com o Executivo. O senador Tião é integrante do PT, que já detém o Executivo. Ter a presidência da República e do Congresso é um pouco demais", afirmou o democrata.

Agripino disse que o DEM cobrou de Sarney a redução do número de MPs (medidas provisórias) enviadas pelo Executivo ao Congresso, assim como a implantação de rodízio nas relatorias das MPs.

O líder também desvinculou o apoio a Sarney à eventual aliança com o PMDB em 2010, para a disputa pela presidência da República. "Não há compromisso de votar em Sarney para o PMDB estar alinhado conosco em 2010. A opção é em cima das necessidades do Congresso Nacional", afirmou.

Agripino reconheceu, porém, que o DEM decidiu migrar para a candidatura de Sarney porque a oposição não tem votos suficientes para eleger candidato próprio à presidência do Senado. "Se tivéssemos número para ganhar, teríamos uma candidatura nossa. Mas não temos. Então, apoiamos a candidatura mais viável. Não estou votando no Renan, estou votando no Sarney."

Retorno

O DEM voltou nesta quinta-feira a ser a segunda maior bancada no Senado com o retorno da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE) às atividades parlamentares. O partido tem, agora, 14 senadores --perdendo apenas para o PMDB, maior bancada, que reúne 20 parlamentares. O PSDB ficou em terceiro lugar, com 13 senadores, seguido pelo PT, com 12.

Maria do Carmo esteve afastada do Senado por mais de 120 dias em consequência de problemas de saúde. Apesar de ainda estar fisicamente debilitada, a senadora retornou num momento estratégico para o partido que, como a segunda maior bancada, passa a ser a segunda legenda com a prerrogativa de escolher cargos na Mesa Diretora e nas comissões permanentes da Casa.

Oficialmente, porém, Agripino negou qualquer pressão para a volta de Maria do Carmo. "Ela estava de férias, na praia, está muito bem de saúde", afirmou.

O DEM vai pedir a 1ª secretaria da Mesa, a ser ocupada pelo senador Heráclito Fortes (PI), assim como a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) ou da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). "Se o PMDB, que é a maior bancada, escolher a CAE, nós ficamos com a CCJ. Ou então, o contrário", afirmou o líder.

Se ficar com a presidência da CCJ, como é a sua preferência, o DEM indicará o senador Demóstenes Torres (GO) para a sua presidência. O DEM ainda pretende indicar o senador Adelmir Santana (DF) para ocupar um segundo cargo na Mesa Diretora e o senador Raimundo Colombo (SC) para a liderança da minoria do Senado --que nesta legislatura está nas mãos do partido.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Patrocínio de estatais para Fórum Social é de R$ 850 mil

Quatro empresas estatais contribuíram com R$ 850 mil para a organização do Fórum Social Mundial deste ano, que acontece até o dia 1º de fevereiro em Belém (PA).

Petrobrás (R$ 200 mil), Banco do Brasil (R$ 150 mil), Caixa Econômica (R$ 400 mil) e Eletronorte (R$ 100 mil) afirmam que a contrapartida do patrocínio foi publicitário --anúncios no material impresso do encontro e nos locais de palestras.

No caso do Banco do Brasil, houve também o acerto para que a instituição fosse o banco oficial do evento.

Nas placas espalhadas pela UFPA (Universidade Federal do Pará) e pela UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), os dois principais locais onde o encontro acontece, a reportagem viu os logotipos da Petrobrás e da Caixa, mas nenhum da Eletronorte.

A questão de como bancar o fórum é polêmica. Como o encontro se pretende apartidário, há participantes que dizem que a vinculação com empresas gerenciadas pelo governo federal cria a possibilidade de que ele seja, do ponto de vista político, "chapa branca".

Em 2003, por exemplo, o evento conseguiu arrecadar R$ 1,8 milhão com Petrobrás e Banco do Brasil --valor já corrigido pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Para as edições de 2004 e 2005, a Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais), recebeu, em cifra também corrigida, cerca de R$ 640 mil dos Correios por meio da SMPB Comunicação, agência de publicidade de Marcos Valério --acusado de ser o articulador financeiro do esquema do mensalão.

À época, a entidade se disse "perplexa" e afirmou que desconhecia a possibilidade de que o dinheiro pudesse ter origem irregular.

Para Cândido Grzybowski, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), fundador do evento, "não haveria fórum no Brasil" se não houvesse apoio de estatais.

"Mas este ano foi o que teve o menor valor [das estatais]", disse. Segundo Grzybowski, a "pequena" ajuda das empresas ligadas ao governo federal é resultado de uma maior eficiência do autofinanciamento --pelo qual as próprias entidades que compõem o fórum o financiam por meio, por exemplo, de taxas de participação.

Ele nega que o investimento das estatais direcionam a orientação política do evento. "Não há condicionamento. Nunca me impuseram nada como agenda. A Petrobrás não faz outros patrocínios?", disse.

Além dos valores das estatais, o fórum atraiu para cidade investimentos públicos --dos governos federal e estadual-- recordes de aproximadamente R$ 145,3 milhões para infraestrutura, segurança e saúde.

Funai registra queixa contra índios no Mato Grosso do Sul

Funcionários da Funai registraram queixa contra os cerca de 60 índios das etnias guarani, terena e caiuá que, desde anteontem, mantêm invadida a sede da administração da Funai em Dourados (230 km de Campo Grande). Eles acusam os índios de saquear parte das cestas de alimentos estocadas no depósito do órgão.

"Eles arrebentaram três cadeados e, no meio da madrugada, começaram a carregar uma camionete com produtos que compõem as cestas", disse a administradora Margarida Nicoletti. Segundo ela, a ação foi fotografada por servidores que estavam de campana nas imediações da sede. Eles acionaram a polícia imediatamente.

Segundo a administradora, ainda não há estimativa sobre a quantidade de alimentos que foi levada. No depósito, segundo ela, há o equivalente a 16 mil cestas básicas. "Estava tudo sendo preparado para a distribuição nas aldeias, mas, com o protesto, o processo teve de ser interrompido", afirmou.

Os manifestantes, que exigem a saída da administradora e a nomeação de um indígena para o cargo, negaram ontem as acusações. Segundo Lucas Paiva, da Associação Indígena Kateguá, a camionete fotografada estava sendo carregada com colchões e cobertores. "Nem todos quiseram dormir aqui, então levamos embora o que era desnecessário", disse.

Segundo ele, o depósito está "intacto". "Não mexemos em nada por lá, até mesmo para que possamos provar que a distribuição é falha e que há alimentos estragando", disse Paiva, que reiterou o propósito de permanecer no local até que a Funai anuncie a troca no comando da administração local. "Não arredaremos o pé daqui."

Ontem, a Justiça Federal concedeu reintegração de posse à Funai. Até a conclusão desta reportagem, o mandado não havia sido cumprido.

Decisão sobre ampliação do Bolsa Família tem "cara e pinta de eleitoreira", diz tucano

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que o aumento do número de beneficiados pelo Bolsa Família tem o objetivo de "atrair eleitores para 2010". Ele disse que a oposição vai tomar providências contra o "pacote social" de Lula.

"Do ponto de vista social, as medidas são meritórias. Mas o governo está perdendo receita e não sinaliza racionalização nos gastos. De onde virá o dinheiro?", questionou Agripino Maia (DEM-RN).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu na quarta-feira autorizar que famílias que tenham renda mensal per capita de até R$ 137 recebam os benefícios do Bolsa Família. Até então, a autorização era apenas para as famílias com renda mensal per capita de R$ 120.

A decisão foi tomada por Lula depois de reunião com o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).

A primeira inclusão de beneficiados ocorrerá a partir de maio. Pelos dados do ministério, a medida vai permitir a inclusão de 1,3 milhão de famílias em todo país.

A previsão é que para o pagamento dos benefícios sejam gastos R$ 549 milhões neste ano. Não há ainda cálculos para 2010, segundo os técnicos. Cada família pode receber até R$ 60 por mês.

"Ninguém vai perceber que não sou brasileiro", diz Obama a Lula

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que telefonou na segunda-feira (26) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que, se visitasse o Brasil, ninguém perceberia que ele não é brasileiro.

"Sei que se eu andar pelas ruas de seu país ninguém vai perceber que não sou brasileiro. Só na hora em que eu abrir a boca", disse Obama.

Obama convidou Lula para uma reunião de trabalho em Washington em março. Nesta época, Lula irá a Nova York para participar de um seminário internacional sobre biocombustíveis.

Lula também convidou Obama para vir ao Brasil e sugeriu um encontro em abril. Mas o presidente americano disse que terá compromissos e se dispôs a conhecer o país no verão americano, entre julho e setembro deste ano. Esta foi a primeira conversa entre os dois chefes de Estado desde a posse de Obama.

Na pauta do encontro, segundo o governo brasileiro, estão as relações dos Estados Unidos com a América Latina, políticas voltadas para a África e a necessidade de se fortalecer o G20.

Obama disse, em telefonema que durou cerca de 25 minutos, que tem apreço pelas relações entre os dois países e quer trabalhar em conjunto pela paz e pela estabilidade na América Latina e ampliar as relações econômicas bilaterais. Cerca de 15% das exportações brasileiras são para os EUA, maior parceiro comercial do país.

Levantamento da Anatel mostra que pedidos de interceptação chegaram a 409 mil em 2008

Ministros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e representantes de operadoras de telefonia se reuniram ontem em Brasília para discutir uma metodologia para a contabilização do número de grampos no Brasil.

Segundo um levantamento ainda inédito feito pela Anatel entre 1º de janeiro e 5 de dezembro de 2008, e enviado ao conselho, mostra que os pedidos de interceptação chegaram a 409 mil --número maior que os 375 mil feitos em 2007 e divulgados pela CPI das Escutas Telefônicas.

No entanto, que o dado não corresponde ao número de telefones grampeados, já que a Justiça pode renovar várias vezes o grampo num mesmo aparelho; e também porque um mesmo mandado, por outro lado, pode conter pedidos de quebra de sigilo de vários números.

O CNJ e as teles tentam concluir se os dados devem ser divulgados por número de telefones grampeados ou por número de mandados judiciais e de interceptações, independentemente de serem ou não renovações de um mesmo grampo.

CGU demite réu do escândalo por improbidade administrativa

A CGU (Controladoria Geral da União) demitiu ontem João Claudio Genu por improbidade administrativa, caracterizada por enriquecimento ilícito e prestação de consultoria remunerada a uma empresa.

Genu, um dos réus na ação penal do mensalão, era assessor do PP na Câmara e teria sacado R$ 700 mil das contas do empresário Marcos Valério.

Dilma ganha destaque em reunião com governadores no Planalto

Com estilo renovado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) se transformou na quarta-feira na estrela da reunião com os governadores. Sorridente e falante, ela cumprimentou os presentes no encontro e discursou por mais tempo do que o coordenador da reunião, o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais).

A ministra brincou com o fato de só estarem presentes duas governadora, Ana Júlia Carepa (PA) e Wilma Faria (RN). "Hoje isso ainda é singular [numa referência a serem poucas as mulheres nos cargos públicos], mas a gente sempre tem esperança de tornar plural", disse, sendo aplaudida pelos presentes.

De cabelos escovados, Dilma mudou o estilo de roupa: substituiu os conservadores terninhos por conjuntos mais modernos, como o que usa hoje, na cor preta com detalhes em bege e botões de madrepérola. Nos pés, usa uma sandália também preta com detalhes em bege.

A ministra mantém o hábito de deixar o par de óculos de grau dependurado na blusa, mas pouco usa. Pensou em colocá-los na hora de ler o discurso, mas mudou de ideia. Com isso, a maquiagem leve e o batom cor de boca ficaram aparentes.

Dilma e mais sete ministros --Fernando Haddad (Educação), José Gomes Temporão (Saúde), Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), Franklin Martins (Comunicação), Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), além de Múcio-- conversam com os governadores para buscar soluções para a redução das desigualdades sociais.

Também estão presentes à reunião, no Palácio do Planalto, os governadores da Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso, Ceará, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas, Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá e Tocantins.

Quadro clínico de Alencar melhora e vice já respira sem auxílio de aparelhos

Boletim médico do vice-presidente José Alencar divulgado na tarde de quarta-feira informa que ele já respira sem o auxílio de aparelhos. De acordo com os médicos, a situação clínica vem melhorando e a sedação está suspensa.

Alencar está internado no hospital Sírio-Libanes, em São Paulo, desde a semana passada. No domingo, o vice-presidente foi submetido a uma cirurgia para retirada de tumores na região abdominal. A cirurgia durou cerca de 17 horas e se encerrou pouco após as 2h de segunda-feira.

Ontem, após Alencar receber a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o médico Roberto Kalil Filho afirmou que o vice reagiu bem nas primeiras 24 horas após a cirurgia e que a retirada dos aparelhos dependeria de como sua recuperação evoluísse.

Cirurgia

O vice-presidente foi submetido pela primeira vez a uma operação de retirada de tumores aliada ao tratamento quimioterápico. O hospital informou que "foi feita a retirada de uma porção do intestino delgado, uma parte do intestino grosso e de 2/3 do ureter. A retirada dessas porções se deve a estarem comprometidas pelo tumor".

O hospital informou ainda que o "ureter foi substituído por uma parte do intestino delgado, com a mesma função de ligar o rim à bexiga". "A complexidade da cirurgia deveu-se, em parte, ao fato do vice-presidente possuir apenas o rim esquerdo."

Além disso, os médicos aplicaram uma "quimioterapia hipertérmica". "Nesse procedimento, após a cirurgia de retirada dos órgãos acometidos, um cateter foi introduzido na cavidade peritonial, por onde foi injetada uma solução quimioterápica", diz o hospital.

Lula

Após a visita, Lula disse que Alencar vai "surpreender" a todos novamente e, em poucos dias, voltará para Brasília. "Eu acho que além da fortaleza que é o ser humano José Alencar, além da competência dos médicos, a mão de Deus está cada vez mais presente nas cirurgias', disse o presidente.

Lula também disse que na última sexta-feira (23) Alencar telefonou para ele para contar sobre a gravidade da cirurgia. "Eu fiquei pensando se eu teria coragem de fazer essa cirurgia", afirmou o presidente, após deixar o hospital.

Protesto lembra cinco anos da chacina de Unaí e famílias pedem julgamento de acusados

Vestidos de preto, manifestantes protestaram na quarta-feira, em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal), contra a impunidade dos acusados pela chacina de Unaí (MG), há cinco anos.

Nove pessoas teriam participado do assassinato, em 28 de janeiro de 2004, dos fiscais Erastótones de Almeida, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e do motorista Ailton Pereira de Oliveira, segundo a Polícia Federal.

Os auditores inspecionavam fazendas da região de Unaí para evitar a exploração de trabalhadores e, de acordo com as investigações, foram vítimas de uma emboscada.

A viúva do auditor Nelson José da Silva, Elba Soares da Silva, 45, afirmou que todos os manifestantes estão em busca de justiça, para que possam ter descanso e paz. "Não podemos esquecer esse crime. Não foram só quatro mortos: o atentado foi contra o Estado e existem muitos municípios que não estão tendo fiscalização por medo de represálias."

Segundo o presidente da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais, José Augusto de Paula Freitas, os manifestantes querem também que o Estado brasileiro se posicione em defesa da sociedade e promova o julgamento dos acusados.

Ele afirmou que o clamor de justiça esbarra em sucessivas protelações e recursos judiciais. "O esquecimento do crime pela opinião pública age a favor dos assassinos. Casos semelhantes, como o da irmã Dorothy [Stang], já foram julgados. Queremos a mesma agilidade. A morosidade nos preocupa e é agressiva", afirmou Freitas.

A partir das 16h30, os manifestantes devem ser recebidos pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes.

Crime

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o prefeito de Unaí, Antério Mânica, seu irmão, Norberto Mânica, e o fazendeiro Hugo Alves Pimenta seriam os mandantes do crime, supostamente intermediado pelo empresário José Alberto Costa.

A elaboração do plano de execução, segundo a PF, foi feita por Francisco Elder Pinheiro, que teria contratado os pistoleiros --Erinaldo de Vasconcelos e Rogério Alan Rocha Rios. Erinaldo teria recebido R$ 22 mil, enquanto Rogério Alan, R$ 6.000 pelo crime.

William Gomes de Miranda teria sido contratado como motorista dos pistoleiros, serviço que teria custado R$ 11 mil. Já Humberto Ribeiro dos Santos seria encarregado de apagar as provas do crime.

O Ministério Público Federal no Distrito Federal recorreu nesta quarta-feira ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região para manter a ação cont

Um grupo de 50 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiu na madrugada desta quarta-feira a fazenda Araçá, em Marmeleiro (sudoeste do PR).

A fazenda pertence a uma gleba de 623 hectares, dividida em três lotes entre os municípios de Marmeleiro e Renascença. Parte da área já havia sido invadida em 2006 por famílias sem-terra.

Os três lotes de terra pertencem ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e na década de 1980 foi entregue a terceiros para exploração comercial. Segundo o chefe da divisão de Obtenção de Terras na superintendência do Incra no Paraná, Geraldo Batista, a área está em processo administrativo para ser reintegrado ao Incra.

''Á área está para ser retomada pelo Incra e deve ser utilizada para fim de reforma agrária'', disse Batista. Segundo ele, a área comporta o assentamento de 30 famílias.

Procuradoria recorre para manter ação contra Dirceu e seu filho Zeca Dirceu

O Ministério Público Federal no Distrito Federal recorreu na quarta-feira ao TRF-1 (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região para manter a ação contra o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e seu filho Zeca Dirceu (PT) por improbidade administrativa. A ação foi extinta sem julgamento do mérito por decisão da 15ª Vara da Justiça Federal no DF.

Na ação, a Procuradoria acusa o ex-ministro de favorecer Zeca ao liberar verbas federais para municípios do noroeste do Paraná, onde fica a base política de seu filho. Zeca foi reeleito em outubro passado prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR), uma das cidades beneficiadas com os repasses.

Além de Dirceu e Zeca, a ação atinge também o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Zeca disse que reconhece o direito do Ministério Público de recorrer da decisão. Porém, espera que o tribunal tenha o mesmo entendimento e julgue a ação improcedente.

A reportagem não localizou os advogados de Dirceu e nem de Waldomiro Diniz para comentar o assunto.

No recurso, a Procuradoria ressalta que os argumentos apresentados na ação são suficientes para provar a prática de atos de improbidade administrativa pelos envolvidos.

"O Ministério Público Federal, ao contrário do que sustentado pelo juiz sentenciante, apresentou, juntamente com a inicial, provas robustas dos fatos ali deduzidos", afirma a procuradora Anna Paula Coutinho no recurso.

Entre as provas apresentadas pela Procuradoria estão a agenda da Subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil e uma planilha elaborada pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde) que indicam repasses decorrentes de emendas parlamentares que tiveram como "padrinho" Zeca Dirceu.

Para o Ministério Público, o ex-ministro usou da estrutura e do pessoal que chefiava para eleger Zeca como prefeito de Cruzeiro do Oeste. O esquema teria sido montado por Waldomiro Diniz.

Na ação, a Procuradoria pede a condenação dos envolvidos a perda do cargo público, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa e proibição de contratar com o poder público.

Tião e Sarney aceitam imposições do PSDB para declarar apoio no Senado

Na reta final da disputa pelo comando do Senado, os dois candidatos à presidência da Casa aceitaram as reivindicações do PSDB em troca do apoio do partido nas eleições marcadas para segunda-feira. Em reuniões separadas com os senadores Tião Viana (PT-AC) e José Sarney (PMDB-AP), o PSDB formalizou as 12 exigências colocadas para decidir quem terá os votos da legenda.

"O senador Sarney recebeu o documento e afirmou não haver contradição entre o que ele pensa e o que está escrito. O senador Tião também concorda com todos os itens. Já valeu a pena o PSDB ter demorado tanto para decidir. Nós vamos reunir a bancada e a bancada vai se pronunciar para mandar a mais breve resposta a nação", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

O tucano disse que os dois candidatos foram muito "incisivos" no aceite às propostas do partido. Na opinião de Virgílio, tanto Tião quanto Sarney são nomes preparados para ocupar o cargo. "A experiência do senador Tião é bastante para ele ser qualquer coisa no país e, sem dúvida, o presidente Sarney é mais que experiente."

Apesar do mistério, nos bastidores o PSDB já decidiu que vai formalizar o apoio a Sarney. Além de considerar o peemedebista como um nome de consenso na Casa, os tucanos avaliam que uma aliança com o PT de Tião neste momento prejudicaria uma eventual aliança com os peemedebistas em 2010.

Oficialmente, porém, Virgílio nega que a decisão tenha sido influenciada pela corrida ao Palácio do Planalto. "Acho que o próprio presidente Lula sabe disso, que uma banda do PMDB estará conosco em 2010. Agora, não vai ser por causa de presidência do Senado. Outros fatos vão pesar", afirmou.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirma, em seu blog pessoal, que a decisão de apoiar Sarney "respeita a tradição da Casa que privilegia a maior bancada". O tucano admite, porém, que a corrida pela presidência da República em 2010 foi decisiva para a decisão da bancada de caminhar para o peemedebista.

"O confronto anunciado entre PSDB e PT nas eleições presidenciais do próximo ano também influenciou. Com a imediata adesão do DEM à candidatura Sarney, a oposição perdeu as condições políticas para apresentar candidatura alternativa", afirma Dias no blog.

Governo Lula amplia limite de renda dos beneficiários do Bolsa Família

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu na quarta-feira autorizar que famílias que tenham renda mensal per capita de até R$ 137 recebam os benefícios do Bolsa Família. Até então, a autorização era apenas para as famílias com renda mensal per capita de R$ 120. A decisão foi tomada por Lula depois de reunião com o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).

A primeira inclusão de beneficiados ocorrerá a partir de maio. Pelos dados do ministério, a medida vai permitir a inclusão de 1,3 milhão de famílias em todo país. A previsão é que para o pagamento dos benefícios sejam gastos R$ 549 milhões neste ano. Não há ainda cálculos para 2010, segundo os técnicos. Cada família pode receber até R$ 60 por mês.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, a decisão foi tomada a partir de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, a renda da família é calculada a partir da soma do dinheiro que todas as pessoas da casa ganham por mês (como salários e aposentadorias). Esse valor deve ser dividido pelo número de pessoas que vivem na casa, obtendo assim a renda per capita da família.

Os interessados devem procurar o setor responsável pelo Programa Bolsa Família no município e apresentar documentos pessoais, como título de eleitor ou CPF, para se cadastrar no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal).

Política

Ontem em São Paulo, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) elogiou a eficiência do programa Bolsa Família.

"Penso que uma característica muito importante do nosso governo é a inclusão social, que conseguimos através do Bolsa Família, por meio de todo um processo de desenvolvimento econômico que nós temos sustentado ao longo desses anos e agora, sobretudo, diante da crise", disse ela.

Dilma é apontada como a candidata favorita do presidente Lula à sucessão presidencial. Nesta quinta-feira, ela e mais oito ministros se reúnem com governadores do Norte e Nordeste, além do Mato Grosso, para a discussão de programas sociais do governo federal, inclusive o Bolsa Família.

O programa Bolsa Família e as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) são considerados os principais projetos do governo federal. Ambos são tratados como questões sociais.

STF nega pedido de Fleury para tomar como deputado federal

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, negou o pedido do ex-governador de São Paulo Luiz Antonio Fleury Filho (PTB) para ser empossado como deputado federal na vaga aberta no partido.

Fleury recorreu ao Supremo contra ato do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que empossou Benedito Roberto Alves Ferreira, conhecido como Roberto de Jesus, na vaga. Segundo Fleury, Roberto de Jesus trocou o PTB pelo PRB no ano passado para disputar uma vaga de vereador em Campinas (SP).

Com a eleição do deputado federal Frank Aguiar (PTB) como vice-prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Roberto de Jesus voltou a se filiar ao PTB para assumir o cargo como primeiro suplente.

No recurso, Fleury ressaltou a resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), segundo a qual a vaga de deputado pertence ao partido, e não ao candidato.

No fim do ano passado, o ministro Carlos Ayres Britto, presidente do TSE, já havia negado recurso no qual Fleury pedia para ser imediatamente declarado primeiro suplente do PTB a deputado federal.

Ao negar o pedido de Fleury, Gilmar Mendes acatou o argumento de Chinaglia, de que a Câmara não podia mudar a lista dos candidatos diplomados expedida pela Justiça Eleitoral.

"Não estão presentes os pressupostos para a concessão da medida liminar", afirmou Mendes em sua decisão. Segundo ele, "em análise sumária dos autos, é possível constatar que o presidente da Câmara agiu em estrita observância à lista homologada e fornecida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo".

Após apelo de Lula, governadores do Norte e Nordeste se comprometem com metas sociais

Governadores do Norte, Nordeste e do Mato Grosso se comprometeram na quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em adotar medidas que têm por objetivo reduzir a mortalidade infantil nessas regiões. A meta do governo é reforçar o atendimento básico de saúde aos recém-nascidos com até 27 dias de vida, período em que são registrados os maiores índices de morte entre bebês.

"Cada óbito deve ser tratado como uma questão grave de saúde pública", disse o ministro José Gomes Temporão (Saúde). Segundo o ministro, só no ano de 2006, 71% das mortes de crianças poderiam ter sido evitadas se houvesse atenção aos recém-nascidos. Em 2007, na região Norte, foram registradas as mortes de 21,7 bebês por cada mil crianças menores de um ano. No Nordeste, o índice foi de 29,2. O número médio nacional do país foi de 19,3 --por isso o governo quer priorizar o Norte e o Nordeste nas medidas de combate à mortalidade infantil.

Entre as medidas em discussão no governo estão o aumento em 10% no número de equipes do saúde da família, ampliar os leitos nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) e os bancos de leite humanos --além de garantir transporte ao recém-nascido e qualificação profissional para os médicos.

Lula também apelou aos governadores para que os Estados reduzam de 19% para 15%, até 2015, o número de pessoas que têm subregistro --nascimentos não registrados no próprio ano de ocorrência ou até o fim do primeiro trimestre do ano subseqüente.

Outra medida que teve o aval dos governadores foi a redução da taxa de analfabetismo nos Estados em 5% até 2010, assim como a intenção de dobrar o número de famílias beneficiadas pelo Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) dos atuais 200 mil para 400 mil.

Na área da educação, o governo pretende liberar nos próximos meses o total de R$ 1,3 bilhão para uma série de medidas a serem implementadas em todo o país. Desse total, R$ 574,6 milhões serão destinados para o financiamento de merenda e transporte escolar para alunos do ensino médio.

Lula quer igualar os benefícios concedidos aos alunos do ensino fundamental para os do ensino médio --que soma 7,3 milhões de estudantes no país. O presidente disse aos governadores que pretende editar resolução obrigando os Estados e municípios a cumprirem as medidas no campo educacional até 2010, quando deixa a presidência da República.

Recursos

Segundo Temporão, os Estados devem apenas remanejar suas contas para aplicar as medidas em estudo pelo governo na área da saúde, sem a necessidade de novos aportes orçamentários. "Para cumprirmos com essas metas, não dependemos de novos recursos. Vamos fazer um remanejamento dentro do que temos."

O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse que os problemas são "antigos" e demandam pouco dinheiro. Múcio afirmou que a disposição do presidente Lula é reduzir os índices negativos do Norte e Nordeste brasileiros se comparados às demais regiões do país.

"Queremos acabar com as diferenças entre as regiões para que os indicadores sejam iguais. Precisávamos fazer um grande esforço para resolver isso. É mais uma questão de providências do que de recursos para que vençamos as diferenças e aproximemos as regiões", afirmou.

Presos suspeitos de morte de advogado petista em PE

A Polícia Militar da Paraíba prendeu na terça-feira (27), na divisa do Estado com Pernambuco, dois homens suspeitos de envolvimento no assassinato do advogado e vice-presidente do PT pernambucano, Manoel Bezerra de Mattos Neto, 40.

Entre os presos está o sargento da Polícia Militar da Paraíba Inácio Flávio Pereira. Ele é suspeito de ser o mandante do crime. Também foi preso o dono da arma supostamente usada para matar o petista, Cláudio Roberto Borges.

As prisões ocorreram na região da cidade de Itambé (111 km de Recife). Outros dois homens, que a polícia acredita que foram contratados para matar o advogado, estão sendo procurados.

Neto foi morto a tiros na noite de sábado (24), numa casa de praia em Pitimbu (PB). As investigações indicam que ele foi morto por vingança. Integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE (Ordem dos Advogados do Brasil), ele testemunhou na CPI do Extermínio no Nordeste, em 2004, contra os chamados "grupos de extermínio" que agiriam na região.

Ameaçado de morte desde então, ele chegou a ser protegido pela Polícia Federal, mas a segurança foi desativada há cerca de um ano, sob alegação de que o advogado desrespeitava normas básicas de proteção e colocava em risco os agentes que o acompanhavam.

A prisão do sargento e do dono da arma foi feita pelo comandante-geral da PM paraibana, coronel Kelson de Assis Chaves. Segundo ele, não houve reação e, em depoimento à polícia, os suspeitos negaram envolvimento no crime.

A espingarda calibre 12 supostamente usada para matar o dirigente petista foi encontrada enterrada, envolvida em camadas de graxa e jornal.

De acordo com o coronel, o dono da arma disse que o sargento pediu a espingarda emprestada para caçar e que, ao devolvê-la, domingo, recomendou que a enterrasse.
As primeiras perícias, afirmou, indicam que a arma é a mesma que matou o advogado.

Cuba confirma oferta de troca de prisioneiros e pede que EUA devolvam Guantánamo

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, confirmou nesta quarta-feira a oferta ao governo do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de trocar os presos políticos da ilha por cinco agentes cubanos condenados por espionagem na ilha.

O presidente cubano, Raúl Castro, que chegou nesta quarta-feira a Moscou, afirmou em dezembro, durante uma visita ao Brasil, que estaria disposto a trocar com Obama os dissidentes presos t na ilha pelos "cinco heróis", como são chamados em Havana os agentes presos nos EUA. "Todas e cada uma das palavras ditas por Raúl antes estão de pé", disse Pérez Roque.

Sobre a decisão de Obama de fechar o centro de detenção na base naval de Guantánamo, no sudeste da ilha, o chanceler afirmou que "é um passo positivo", embora "não seja suficiente".

"Do ponto de vista de Cuba, esta decisão deveria ser seguida pela de fechar a base naval que os EUA mantêm por mais de um século na baía de Guantánamo, e da qual realmente não precisam para sua segurança e sua defesa", declarou. "Esperamos que esse território, ocupado contra nossa vontade, seja devolvido à soberania de Cuba".

Obama assinou no último dia 22 uma ordem executiva para o fechamento no prazo de um ano da prisão que p governo de George W. Bush construiu em 2002 em Guantánamo para suspeitos de terrorismo.

As tropas dos EUA chegaram a Cuba durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, e mantiveram o controle de Guantánamo após a independência cubana, quatro anos depois. Em 1903, a área de 116 quilômetros quadrados foi arrendada perpetuamente aos EUA. O ex-ditador Fidel Castro (1959-2008) deixou de aceitar o dinheiro do arrendamento a partir do segundo ano no poder.

Direitos humanos

Também nesta quarta-feira, Pérez Roque deu detalhes do relatório anual sobre direitos humanos em Cuba, que deve ser entregue ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 5 de fevereiro, para ser votado em julho.

O governo cubano usa o relatório para defender-se das críticas de restringir a liberdade dos cidadãos e de manter prisioneiros políticos, argumentando que o governo comunista controla os sindicatos, grupos sociais e a imprensa para fortaleceras liberdades individuais. Para o governo, a assistência pública de saúde e educação e outros subsídios governamentais permitem aos cubanos desfrutarem de mais direitos humanos que os habitantes da maioria dos países.

Críticos afirmam que Cuba mantém mais de 200 pessoas presas por motivos políticos e não respeita direitos individuais, como a liberdade de expressão, reunião e de imprensa. O governo assegura que tais prisioneiros são mercenários que trabalhavam com governos estrangeiros para enfraquecer o sistema político e econômico da ilha.

Pérez Roque disse ainda que o investigador de tortura da ONU, o austríaco Manfred Nowak, será convidado para visitar a ilha neste ano. Embora exilados anticomunistas acusem o governo cubano de praticar tortura, Pérez Roque disse que não houve casos de tortura, desaparecimentos políticos ou execuções extrajudiciais desde o triunfo da revolução cubana, há 50 anos.

Demissões coletivas subiram um terço nos EUA em 2008

As demissões coletivas, de 50 funcionários ou mais de uma mesma empresa, subiram um terço em 2008 nos Estados Unidos, informou hoje o Departamento de Trabalho americano.

O governo indicou que no ano passado foram registradas 21.137 "demissões em massa", contra 15.493 em 2007.

O número de demissões coletivas do ano passado foi o mais alto desde 2001, quando a economia esteve em recessão e o país sofreu os ataques de 11 de Setembro.

Como resultado das demissões coletivas do ano passado, mais de 2,1 milhões de pessoas perderam seu emprego, segundo os números do governo.

O ano de 2008 fechou com um índice nacional de desemprego de 7,2%, mas os números governamentais mostram que em dezembro foram registrados Estados com estatísticas mais altas.

Em Michigan e em Rhode Island, o índice de desemprego chegou a 10%, enquanto em Nevada foi de 9,1%, na Flórida de 8,1% e na Califórnia de 9,3%.

Duas crianças ficam gravemente feridas em acidente na Imigrantes em SP

Duas crianças ficaram gravemente feridas na batida de um carro e um caminhão na noite desta quarta-feira na rodovia dos Imigrantes, no sentido São Paulo.

De acordo com a Ecovias (concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes), o helicóptero Águia, da Polícia Militar, está no local para socorrer os feridos. Seis pessoas estavam no carro que bateu na traseira de um caminhão, no km 35 da rodovia. Uma pessoa ainda está presa nas ferragens.

Três faixas da pista da esquerda da via estão interditadas devido ao acidente. Há lentidão de cerca de 300 metros, devido à aproximação do local.

Ainda não há informações mais precisas sobre as idades das vítimas e o estado de saúde. As crianças foram encaminhadas para o pronto-socorro central de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).

Bispo critica lentidão das investigações de ameaças de morte no Pará

O bispo da Diocese da Ilha de Marajó (PA), dom José Luiz Azcona, um dos seis religiosos ameaçados de morte no Pará, criticou hoje, durante o 9º Fórum Social Mundial a lentidão das investigação sobre as ameaças de morte no Pará.

O religioso é ameaçado de morte por proprietários de terra que exploram o trabalho de crianças e adolescentes nos municípios de Altamira, Abaetetuba e na região da Ilha do Marajó. Ele afirmou que a perseguição é um estímulo para dar continuidade ao trabalho de denunciar violações aos direitos humanos.

"Sou bispo e não quero canonizar a mim mesmo. Se estou ameaçado por defender crianças e jovens da exploração de grupos poderosos isso é um estímulo para continuar minha luta", disse.

Dom José Luiz Azcona declarou que não tem medo de morrer e orientou líderes religiosos da região a terem o mesmo comportamento. "Hoje eu sinto a morte de perto e penso muito nela. Não tenho medo de arriscar, de morrer, pela defesa dos direitos das pessoas", afirmou.

Além de dom José Luiz Azcona, também estão ameaçados de morte no Pará, dois bispos, três padres e outras 200 pessoas, entre elas lideranças de trabalhadores rurais.

O bispo participou do seminário a Igreja e seus Mártires em Defesa dos Direitos Humanos, realizado na tenda Irmã Dorothy na Universidade Rural da Amazônia.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Londrina (PR) terá terceiro turno no dia 29 de março para escolher prefeito

O TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná marcou para o dia 29 de março a realização de um novo segundo turno em Londrina entre os candidatos Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT).

Pelo calendário aprovado na sessão de hoje, os candidatos poderão fazer propaganda eleitoral nas ruas a partir da publicação da decisão, o que deve ocorrer nos próximos dias. Já a propaganda no rádio e na TV será veiculada entre os dias 14 e 26 de março.

Londrina terá nova eleição de segundo turno porque o candidato mais votado, Antonio Belinati (PP), teve seu registro de candidatura negado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não tomou posse.

Belinati foi considerado inelegível porque o Tribunal de Contas do Estado rejeitou sua prestação de contas relativa ao período em que foi prefeito do município.

No lugar de Belinati, o vereador Padre Roque (PTB) assumiu a Prefeitura de Londrina de forma interina. Ele foi eleito presidente da Câmara e ficará no comando do Executivo até que a cidade defina o seu novo prefeito.

Além de Londrina, outros 20 municípios realizarão novas eleições até março.